Lx International Workshops

International Workshop programs / at Palácio Belmonte, Lisbon

Lisboa nas Narrativas

Date: February 1st – February 8th 2012
Schedule: 10am – 20pm
Location: Palácio Belmonte + Livraria Fabula Urbis
Belmonte Address: Pateo Dom Fradique, 14
1100-624 Lisboa
Fabulas Address: Rua de Augusto Rosa, 27
1100-058 Lisboa
Contacts: +351 218816600 _ office@palaciobelmonte.com

Organization: Belmonte Cultural Club
Partners:
 DaST, Livraria Fabulas Urbis, WOA
Sponsors: CML-Agenda Cultural de Lisboa, Palacio Belmonte Lisboa lda

More info: www.paisagensliterarias.ielt.org

About the Workshop

Lisboa nas narrativas: olhares do exterior sobre a cidade antiga e contemporânea resulta da comunhão de interesses e objectivos de dois projetos em curso – o “Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental” e o “Bairro Destino” –, que valorizam as paisagens de Lisboa enquanto arquivo de natureza e cultura. Ambos procuram a história e a tradição dos locais nos discursos do passado e do presente, para com eles reinventar uma urbanidade que se pretende mais qualificada e criativa.

Lisboa nas narrativas: olhares do exterior sobre a cidade antiga e contemporânea toma o fértil imaginário da cidade como objecto de reflexão. Nas representações literárias identifica-se um manancial de exploração para a investigação nas áreas da literatura, da história, da geografia, da economia, da psicologia ambiental, entre outras, e, do mesmo modo, para a produção artística que tem a representação literária como ponto de partida.

Enquanto descrições trabalhadas pela imaginação e pelo engenho estilístico dos escritores, as paisagens literárias são reconhecidas e apreciadas, e constituem um referencial para a leitura do ambiente. Muitos têm realçado o seu papel na compreensão dos valores, símbolos e sentimentos que enformaram os territórios em diferentes épocas. O seu estudo contribui para a história das ideias, e para compreender as opções sobre o espaço e sobre as decisões de planeamento. Também na relação entre o referente e o revisitado (ou entre o referente e o reinventado), a cultura de um território cresce e frutifica, inspirando derivadas vivências artísticas e emocionais, materializadas, por exemplo, no desenho, na pintura, no cinema ou na música.

Os participantes beneficiarão de um conjunto de palestras de investigadores, escritores e artistas cujo trabalho reflectiu o seu interesse pela temática das paisagens. Em conjunto, trabalharão sobre o processo da representação, o mesmo é dizer, sobre a cidade e sobre a imagem da cidade. E, durante a oficina, fruirão da descoberta de um dos edifícios históricos mais antigos da cidade e da partilha de vivências locais dos bairros do Castelo e Alfama.

Focar-se-ão num conjunto de obras de escritores estrangeiros sobre Lisboa, produzidas em diversas épocas, e de diversos géneros literários. Seleccionando a partir de uma lista de referência, aos participantes é dada a possibilidade de escolher a(s) obra(s) sobre a(s) qual(is) pretendem investigar. Esta investigação, que segue a metodologia desenvolvida para o projecto “Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental”, tem por base a identificação, a classificação e o registo de excertos literários numa base de dados. No final, pretende-se que cada participante possa discutir a perspectiva que recolheu e analisou, partilhando-a com o colectivo. Na sequência deste trabalho sobre Lisboa, as representações da cidade e a experiência da sua paisagem, um conjunto de contributos artísticos ou ensaísticos será compilado e publicado.

Plantar Vida na Economia

Date: April 24th 2012
Location: Palácio Belmonte
Belmonte Address: Pateo Dom Fradique, 14
1100-624 Lisboa
Contacts: +351 218816600 _ office@palaciobelmonte.com

Concept: Catia Mariam Costa, Pierre Frederic Coustols
Participants: António Alvarenga, Filipe Alves, Manuel Brandão Alves, Manuel Branco, José Castro Caldas, João Caraça, Gustavo Cardoso, Paulo Carvalho, David Castro, José Delgado Domingos, Tiago Delgado Domingos, José Paulo Esperança, João Ferrão, Bernard Festy, Catarina Fonseca, Sam Golshani, Teresa Jorge, Keith Hack, Adolfo Macedo, Sandro Mendonça, António Oliveira, Catarina Roseta Palma, Paulo Partidário, Miguel Pinto, José Reis, Félix Ribeiro, Teresa Ribeiro, João Rodrigues, Mário Ruivo, Sofia Santos, João Seixas, Viriato Soromenho-Marques, Patrícia Valinho, Sofia Vaz, Dan Ward, Richard Werly.

Organization: Belmonte Cultural Club
Partners:
 DaST, Livraria Fabulas Urbis, WOA
Sponsors: CML-Agenda Cultural de Lisboa, Palacio Belmonte Lisboa lda

About the Workshop

Sentimos a necessidade de retomar a capacidade de pensamento estratégico num contexto de urgência social, bloqueio económico, desinvestimento ambiental e ambiguidade de opções políticas. Identificámos um conjunto de questões-desafio gerais e orientado por uma série de assuntos-problema concretos.
Nos dois encontros organizados fizémos evoluir entendimentos frescos e consequentes sobre caminhos positivos para um futuro socialmente digno, economicamente resiliente, ecologicamente sustentável e politicamente democrático e participado.

O Espírito da Reflexão

Poderá um futuro melhor surgir de dentro de um presente disfuncional? Em momentos de transição pode desejar-se o melhor. Mas numa crise como esta, que se arrasta, é o pior que se observa e se impõe. Numa conjuntura instável são visíveis os esqueletos das velhas ideias, a carcaça das estruturas económicas caducas, os espectros dos interesses particulares. Nestas circunstâncias é importante resgatar as ideias da sustentabilidade e da ação alternativa às garras do desânimo e da exasperação.
A regeneração da vida socioeconómica depende, também, de renovar o debate. Uma característica essencial dos tempos presentes continua a ser a coexistência de um enorme desaproveitamento de forças, capacidades e saberes regeneráveis com uma excessiva utilização de recursos finitos nas esferas ambiental e humana. Estas assimetrias e fricções têm por base um poderoso processo de injustiças sociais e ambientais, destruição do espírito vital e perdas do potencial de sustentabilidade. Quais os factores que têm dificultado o regresso a entendimen tos positivos e operacionais sobre desenvolvimento? Existem grandes obstáculos societais e macro-organizacionais como as tendências de desregulamentação e de desresponsabilização sistémica, o desmantelamento de formas organizadas de acção colectiva e a estigmatização das missões redistributiva e estratégica do Estado, a distorção financeiro-punitiva do projecto europeu e o recrudescimento de estratégias neo-mercantilistas de actuação na arena da globalização, o triunfo do idealismo de mercado e a submissão intelectual e cultural às inversões de prioridades sobre meios e fins. Existem também pressões significativas ao nível económico e micro-organizacional como as atitudes e os comportamentos de consumo, as condutas estratégicas e as rotinas da atividade empresarial, os constrangimentos das instituições públicas e das instituições sem fins lucrativos, a insensibilidade das lideranças e o desencontro entre a origem das decisões e o destino das repercussões destas.
Como se pode voltar a falar de desenvolvimento? Olhar para a vida com o objetivo de escapar à tenaz dos dias de hoje implica pensar em capacidades produtivas específicas assim como competências pessoais apropriadas. Implica também identificar e alimentar as capacidades-base e as competências-dinâmicas que podem realizar uma nova síntese de direitos e ambições sociais. Implica imaginar o que é ainda possível fazer no quadro de uma União Europeia sob tensão e de uma globalização em acelerado processo de renegociação. Implica optar pelas pessoas, pelo comum, pelo bem-estar e por um progresso justo. Onde estão interstícios úteis por entre as derivas estruturais mundiais e os constrangimentos europeus?
E em Portugal, que contextos de vida e de ação podem ser relevantes? Na inovação urbana, será possível às cidades as sumirem-se como lugares de imersão em solidariedades diversificadas e justapostas? Como plataformas de emancipação económica e de iniciativa difundível? O que valem os pequenos meios e o mundo rural? Que sectores, que métodos de negócio, que promessas tecnológicas contémas sementes para reavivar a actividade produtiva e a inserção numa economia-mundo em perpétua evolução e em persistente instabilidade. E que palco dar ao sector primário, à alimentação, à floresta, ao mar, à captação de energia? Que mecanismos mistos para a recuperação do ecossistema e da riqueza latente nas heranças da natureza? Que inovações institucionais para coordenar a transformação? E as pessoas? Entre necessidades materiais e patrimónios imateriais, como se pode dar valor às pessoas? Que futuros para um país que actualmente corre riscos radicais justamente por não ter arriscado a procura de um caminho alternativo e próprio? Um encontro para gerar os princípios de uma conversação ousada e responsável é o nosso desafio para já (o que é “factível” desde agora). É altura de repensar a autonomia, a harmonia e a vida na sociedade. É o momento para desenhar acções reais e prototipar caminhos de renovação.
A motivação próxima foi o interesse de Fréderic Coustols e Cátia Miriam Costa em acolher e encorajar a busca estruturada de respostas do quadro do seu projeto DaST (iniciativa de sociedade civil que propõe que Portugal se torne num exemplo exportável de sustentabilidade no centro de um projeto de desenvolvimento social, económico e político) partindo do contexto do Palácio Belmonte.

Foi dirigido um convite a um conjunto de pessoas de variadas perspectivas analíticas, preocupações profissionais e experiências de recorte internacional, que á se haviam manifestado interessadas em contribuir para o avanço de um debate construtivo e regenerador em torno dos temas da economia e ecologia.
Como preparação foi solicitada a todos a leitura do livro O Homem que plantava árvores, de escritor francês Jean Giono, bem como como do manifesto DaST.
O primeiro encontro foi um dia de trabalhos em que cada participante foi convidado a preparar uma ideia forte para introduzir na conversação colectiva. A cada um dos presentes foi pedido que preparasse uma transparência de 4 ou 5 páginas conjugando o entendimento que desejasse transmitir; aos ausentes foi solicitado o envio de um apontamento sob a forma de poster. Este primeiro encontro foi realizado num clima de recolhimento académico.
No segundo encontro foram reunidas as páginas de texto com o primeiro ensaio de contributo da ou do participante. Nesse fim-de-semana o propósito foi testar intensamente os fundamentos e os alcances das ref lexões com vista à emergência de ganhos de compreensão e esperança geral de soluções viáveis para o país e para o mundo. Este segundo encontro foi realizado numa atmosfera de maior abertura e com a presença de convidados externos (decisores públicos e gestores empresariais, bem como jornalistas e políticos).
No final dos dois encontros, surgiu um conjunto de ideias-chave para apresentar junto dos decisores políticos, com destaque para as instituições comunitárias, num esforço concertado de obter resultados práticos a médio prazo.

Operacionalização da Reflexão:
Seis grandes temas para exploração e aprendizagem mútua.
Cidadania:
O aqui e o agora na cabeça e nas práticas: hábitos de consumo, oportunidades criativas, quotidianos sustentáveis, poder de escolha, poder de discussão, partilha de benefícios.
Produção:
Inserir mutações no ADN empresarial e restaurar a lógica da produção: pequenas causas para grandes efeitos.
Governação:
O minimalismo dos métodos na transição para uma economia verde: novas métricas, novas regras, novos objetivos.
Enraizamentos:
Dos setores às cidades, dos espaços às actividades: entre a vivência dos territórios em mudança e a racionalização dos ativos disponíveis.
Modelos:
Dos modelos do possível à maturidade do provável: reencontrar soberania pessoal e iniciativa coletiva, pilotar o presente com vista a uma economia renovada.
Prototipagem:
Visões factíveis e ficções valiosas: semear em Portugal um futuro sustentável.

Territórios e coesão territorial: há soluções inclusivas para a crise

No plano internacional também não faltam registos de casos em que o território se revela um elemento matricial da vida colectiva, dando expressão positiva á proximidade, ao reforço das capacidades organizativas e à geração de formas de eficiência colectiva pela integração de uma grande variedade de actores e pela articulação de cadeias de valor. O território é, de facto, o lugar onde o microeconómico se robustece e a dispersão avulsa se contraria. Silicon Valley, a tão celebrada Finlândia, a Itália dos distritos industriais marshallianos ou, em geral, os vários “milagres” nunca previstos por ciências tão ciosas da sua normatividade, como é o caso da Economia, contam-se entre os múltiplos exemplos em que é necessário chamar o território, a descentralização e a mobilização daquilo a que alguns chama capital social para se compreender devidamente o processo económico e social em causa e as raízes das capacidades que se revelaram.
Quem, na economia e na sociedade, valorize a variedade dos processos de desenvolvimento e a ache um elemento genético dos processos dinâmicos; quem dê valor á eficiência colectiva, à criação de externalidades organizacionais e às lógicas de «clusterização» que o território potencia; quem entenda que as formas de desenvolvimento inclusivo não hesitará em dizer que sim. Que sim, que há soluções sociais que terão de emergir da crise com as quais se reinventarão quadros organizativos refractários face às lógicas recessivas, discrepantes relativamente ás convicções des carnadas da regulação mercantil esquemática, alternativos por contraposição ao poder desproporcionado que cabe à especulação e à finança, em detrimento da criação de riqueza e da provisão de bens e serviços úteis.
Finalmente, o desenvolvimento regional é uma questão de políticas públicas, isto é, de acções voluntaristas dirigidas a fins e objectivos determinados através do uso de recursos colectivos. Eles tanto podem ser o desenvolvimento das regiões mais necessitadas, para combater assimetrias graves (principio de coesão), como podem ser a aposta nas regiões mais eficientes para alcançar resultados globais mais positivos (princípio da competitividade). O que aqui se procurou defender é que há perdas potencialmente fortes quando se recusa valorizar o conjunto dos factores que o território oferece. Em geral, pode cair-se no erro do afunilamento das soluções. Em contextos de crise como as de hoje, pode subestimar-se p conjunto dos recursos com que se reforce o lado sustentável do funcionamento colectivo – aquele em que se cria riqueza, se assegura a provisão de vens e serviços úteis, em que se usam e valorizam s recursos humanos e em que se aumentam as capacidades colectivas, tanto as materiais como as imateriais.